Carta aberta aos microgerentes

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Scott Berkun é um conhecido escritor e palestrante na área de negócios e tecnologia. Publicou alguns livros que se tornaram best-sellers e hoje são leitura recomendada para quem deseja ou precisa aprender a gerenciar negócios, sejam eles ligados ou não à tecnologia. Eu acompanho o blog dele e recentemente ele postou um texto que é uma carta aberta aos microgerentes.

Para contextualizar, já que microgerente não é um termo muito usado aqui no Brasil, microgerente é aquele sujeito que controla obsessivamente os seus subordinados, até mesmo nas tarefas mais pequenas. Eu pedi autorização ao Scott para traduzir o seu texto e publicar aqui no blog. Autorização concedida, segue o texto traduzido.

Prezado microgerente:

Donos de cavalos puro-sangue nunca param seus cavalos durante uma corrida, a cada 10 segundos, para lembrar ao cavalo e ao jockey como eles devem correr, onde está a linha de chegada, ou para dizer quão boa é a idéia de chegar em primeiro. Por que? Porque isso os deixaria muito mais lentos. Apenas um idiota faria isso.

Se você é um gerente, você deve assumir que tem cavalos puro-sangue trabalhando para você. O seu trabalho é dar a eles o que precisam para vencer suas corridas, acordando com eles prazos e premiações, porém, tirando todos os obstáculos do caminho. A não ser que eles comecem a pular cercas ou atacar outros cavalos, você deve deixá-los correr para vencer.

Mesmo que você seja 30% melhor do que alguém que trabalha para você em determinada tarefa, o tempo que toma ficar de olho na sua equipe de hora em hora e solicitar aprovações para decisões triviais custam muito mais em perda de ânimo, paixão pelo trabalho e destruição do respeito próprio dentro de sua equipe do que os 30% que você pensa estar contribuindo. Ninguém consegue trabalhar bem sentindo que está sendo tratado como uma criança idiota. Ter 2 pessoas envolvidas em um trabalho que requer apenas uma é perda de tempo, para todos.

Talvez você não pense que está gerenciando cavalos puro-sangue e que esses precisam de muita ajuda.

Isso é possível.

Mas se você é de fato um microgerente, você começou a se exceder no dia em que começou a gerenciar. Você não tem idéia do potencial das pessoas que trabalham para você. É grande a probabilidade de você estar tratando, pelo menos, um potencial Seabiscuit como se ele fosse um pônei de brinquedo em um conto medieval.

Um saudável, confiante e bem ajustado gerente sabe que o seu trabalho envolve fazer 3 coisas:

1. Contratar cavalos puro-sangue, indicar a linha de chegada e sair do caminho deles a não ser que peçam ajuda.

2. Treinar, ensinar, encorajar e posicionar cavalos extraordinários para maximizar o potencial e aproximá-los ao menos em parte do seu trabalho.

3. Demitir aqueles que nunca conseguem fazer o trabalho necessário sem o seu constante envolvimento para criar espaço para aqueles que conseguem trabalhar bem.

Se você não fizer essas coisas, o fardo do fracasso está sobre você. Bons gerentes atingem todos as três atividades mencionadas acima. Gestores medíocres, ao menos, estão trabalhando para bons objetivos. Entretanto, maus gerentes estão excessivamente distraídos por seus próprios egos, contracheques ou insegurança para reconhecer o quão auto-destrutivos são.

Um fácil teste de gerenciamento é deixar que a sua equipe saiba o quão confiante você é na habilidade que eles tem de realizar o trabalho e oferecer, caso eles queiram, que você esteja cada vez menos envolvido no seu trabalho do dia-a-dia para que eles tenham mais espaço para produzir. Diga-lhes que você está disponível se eles precisarem de você, mas caso contrário, você vai colocar a sua atenção em outro lugar. Veja o que acontece. Segure a sua língua. Não solicite a revisão daquele email. Não insista em regular quem se reúne com quem. Tome um pequeno passo atrás e veja o que acontece.

Existe uma enorme probabilidade de que o mundo não vai acabar. Seus melhores empregados serão mais felizes e mais produtivos, dando a você uma nova energia para investir no restante do seu trabalho ou até mesmo para que em determinados dias você possa ir embora para casa mais cedo. Algumas pessoas de sua equipe vão te surpreender e prosperar com mais autonomia. E para aqueles que não conseguem melhorar ou cometem erros, você não saiu perdendo, pois ainda pode voltar atrás e dar atenção onde é realmente necessário.

Se você estiver temeroso de tentar isso e tem uma lista de desculpas para dizer que isso é uma má idéia, a única coisa que está gerenciando realmente é o seu ego. Porém, você está com medo de admitir que as pessoas podem funcionar muito bem sem a sua aprovação ou intromissão em cada pequena coisa estúpida. Ou, pode ser que você seja uma prova viva do Princípio de Peter, e seria mais feliz e mais útil se parasse de gerenciar e começasse a trabalhar sozinho. Um salário maior não é um troca saudável pois faz você mesmo e sua equipe infelizes.

Bons gerentes são corajosos e confiantes, confiam nas pessoas que gerenciam. Eles querem amadurecer a sua habilidade de julgar e aumentar as suas habilidades, preferindo errar por excesso de confiança do que por confiar pouco. Eles têm prazer em se soltar e dar poder à sua equipe, aceitando que quando alguém que trabalha para eles brilha, eles brilham muito.

No entanto, se você não gosta dessas coisas e luta para confiar em sua equipe, ou não suporta ver uma decisão tomada ou um prêmio ganho sem o seu nome sobre ele, você deve parar de gerenciar pessoas. Você, e todos que trabalham para você serão mais felizes se fizer isso.

Beijos e abraços,

Assinado,

- As pessoas que você está microgerenciando.

Texto original

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